sexta-feira, 19 de março de 2010

Dia do Pai?

Ao que parece, é culpa minha. Sim, porque eu é que não tenho programas suficientes que me entretenham enquanto ele vai ao futebol, ás motas, ás maratonas, aos rallyes, para me calarem esta boca desdenhosa da sua ausência.

A quezila nada terá a ver com o facto dele passar a vida em programas que invariavelmente me deixam só, com duas crianças - adoráveis mas extenuantes - (e por vezes três, quando a filha está de fim-de-semana connosco), e ainda por cima semi-debilitada pelo rebento que, por força da natureza, estou incumbida de carregar durante nove meses (mais um a acrescentar á família mono-parental que pelos vistos criei).

Radiante, partilha comigo mais uma vitória do Benfica, cujo resultado envolve mais um jogo “não-sei-onde”, na esperança de ganhar a Taça “não-sei-do-quê”. Mais um a acrescentar aos jogos todos que já fez o favor de marcar na minha agenda para que eu não conte com ele nesse dia.

E parece surpreendido com a minha falta de entusiasmo (pois coitadinho!), que me impede de partilhar com ele as glórias do Glorioso. E por isso peço desculpa. Pela minha falta de entusiasmo, de compreensão, de ser tão pouco prestável e solícita no que diz respeito aos seus importantíssimos interesses que giram á volta das tão preciosas esferas da sua vida: as do futebol, das rodas das motas e dos carros, etc.

Esquece-se é desta esfera que tem em casa, que não pede a atenção de 11 intervenientes - apenas de um. Esta esfera que está cansada de constar no fim duma lista infinita de prioridades, não-coincidentes com a sua (pois não consto do calendário futebolístico!)

Pois a culpa é minha. Por ser uma “chata” que gosta da companhia do marido (que descabido?!); que tem gosto em que ele nos honre com a sua presença nas idas ao parque, ao museu, ao espectáculo, ao McDonald’s...; por querer que criemos vivências nossas enquanto família; por acreditar que a família é isso mesmo: partilhar, viver, estar. Pois a culpa é minha, sim senhor. Por ter acreditado. Por ter sonhado. Por ter um conceito de família errado.

E, por isso, neste Dia do Pai, vejo-me obrigada a retomar-lhe o título. Ou pelo menos partilhá-lo. Pois, quantas vezes - contrariada mas sem alternativa - não desempenhei ambos papéis?!

Um feliz Dia do Pai a todos os pais que realmente o são, e a todas as mães que não têm outra escolha senão muitas vezes sê-lo também.

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