segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Abecedário

Exercício 1: Escrever uma história utilizando todas as letras do Abecedário

A Beatriz caiu desastrosamente e feriu-se gravemente. Henrique infeliz jovem larapio moveu-se na outra ponta. Queria rir-se. Sem travar um velocípede XYZ, zumbiu.
Lowndes Faria
20 Outubro de 2008

O Amor não é um sentimento honesto


Entre o bem perfeito e o pior dos males estende-se, graças a Deus a todos os Anjos e Santos, uma multiplicidade de pecados e boas venturas. O Amor, em particular, é tema que proporciona uma vasta paleta de cinzentos, dos mais açucarados aos mais violentos.

Aos cinquenta anos de vida, Luciana tinha já escolhido as latitude e longitude ideais sobre o tema. Para o Amor exigia uns 3 ou 4 predicados essenciais, distribuídos assimetricamente entre o objecto, o local , o momento e o seu estado de espírito. O objecto de amor não pressupunha, por si só, qualquer perturbação na alma de Luciana. O homem não tinha que ter nenhuma idade em especial, não precisava de usufruir de um estatuto excepcional. A Luciana poderia devotar a sua atenção tão facilmente ao magnata quanto ao motorista do magnata. Era, talvez, um pouco mais influenciada pela lisura e elegância do homem em questão. A palavra e o gesto certos no momento que captava a sua atenção. É bem de dizer (esclarecer) nesta altura da minha narrativa que a Luciana do alto dos seus cinquenta anos podia dar-se ao luxo de estender seus favores a qualquer um. Depois de três peregrinações à instituição do casamento, calculistamente bem programadas e sucedidas, esta mulher era dona de uma confortável fortuna. Os três ex-maridos (Luciana fazia absoluta questão de formalizar todas as suas relações amorosas importantes e de estabelecer um protocolo cuidado, íbis verbos, do que adviria do desamor) tinham-na presenteado com uma panóplia de jóias, apartamentos e herdades, secundados por uma esmerada carteira de títulos e vários milhões de Euros nas contas bancárias. A Luciana tinha assim granjeado uma excelente posição sócio-económica, podendo dar-se ao luxo de amar e deixar-se amar sem fronteiras etárias ou económicas. Torna-se óbvio que uma mulher assim nunca amaria qualquer um.

E foi quando lhe apareceu o Guilherme com um flute de champanhe na mão conquistado e delicadamente pousado na mão de Luciana na hora exacta de sua sede.

Estava preparado o palco para uma grande paixão.

Lowndes Faria
Workshop Escrita Criativa
Sintra 2007

sábado, 29 de novembro de 2008

Última Letra na Palavra Seguinte

Exercício 1: Escrever uma história utilizando sempre a última letra da palavra anterior na palavra seguinte

António ousou ultrapassar rente entre estradas. Subiu um monte e escalou um matagal. Lyla atravessou um muro. Outrora antecipavam movimentos súbitos. Sobrou um maldito ódio. Os sonhos sabiam matar realidades. Sentiam-se enganados. Só os segurou um misterioso oboé. Enfim... Mais seguros sobreviveram melhor. Risos.
Lowndes Faria
17 Novembro 2008
Maria das Dores detestava animais em geral, mas os cães... Meu Deus! Esses malditos cães, esses fedorentos e peludos animais, esses... ela odiava. Ela que era uma criatura mansa e serena. Ela que diligentemente limpava toda a casa e, com cuidado arrumava os pequenos pertences dos seus sobrinhos. Ela que com tanta calma ouvia seus queixumes e apartavas as brigas infantis. Coisa pouca, não era... afinal tinha seis miúdos à sua conta. Às vezes toda a paciência da Terra parecia ter repousado naquela mulher. Mas cães, nem ouvi-los, quanto mais vê-los. Em pequena tinha ficado irremediavelmente traumatizada com a súbita mordida de um pastor alemão. O sulco do canino ainda se notava na sua perna esquerda. Que susto atroz! Odiava cães.

Hoje acordou às 6 da manhã para ir à missa. O caminho era longo. A terra batida cheia de pedregulhos magoava os seus pés. Despontava o sol depois de dias consecutivos de chuva rasa. Subiu os degraus de uma enorme encosta de granito. E foi entre um degrau e o outro que surgiu a malvada cobra. Cintilante, pegajosa, a criatura mais nojenta que algum dia viu. No mesmo instante desaba da encosta um cão grande e pardo que morde e mata a cobra. Assim sem demais. Urgente, preciso e natural. Descobriu o herói da sua vida. E de Herói passou a chamá-lo.
Lowndes Faria
20 Outubro 2008

Ténis em Tribunal

Exercício 2: Usar os diálogos do Ténis num contexto de perigo e/ou viragem da história

Nesta história estão duas amigas num tribunal. A Teresa ia ser julgada por desacato à autoridade, e a Marta, que tinha presenciado toda a cena, entrava como Testemunha da defesa. O caso era bicudo pois as circunstâncias não favoreciam a Teresa. Tudo tinha começado com uma simples questão de nomes de ruas e tinha acabado com um valente estalo na face do Polícia Joaquim. Entraram na sala.
Marta:-Oh Chiqui, reparaste na quantidade de pessoas a assistir?
Chiqui: -E eu com este facto horroroso, todo sujo...Os polícias fazem-nos passar por cada vergonha.
Marta: -Deixa-lá isso, concentra-te neste julgamento. Este é mesmo importante. Precisamos esclarecer toda a confusão que se gerou à volta de trocadilhos.
Chiqui: -Estamos juntas? Vai ser complicadíssimo explicar que o Policia Joaquim estava a fazer-se a mim.
Marta: -Mas eu bem que podia ter evitado dizer-te. vamos dar-lhe uma surra!
Chiqui: -Tem atenção à esquerda da mesa do Juiz. Não é o Armando? Que sorte! Ele é amoroso.
Marta: -É ele mesmo! Que bom! Agora podes estar descansada pois não passará uma!
Chiqui: - Vamos a isso! O Policia Joaquim é que está tramado.
Lowndes Faria
10 Novembro 2008

O Desafio do Ténis

Exercício 1: Diálogo entre dois tenistas mesmo antes de entrarem para a quadra numa grande final de um torneio de ténis.

A -Oh Chiqui, reparaste na quantidade de pessoas nas bancadas?
B -E eu com este facto horroroso...Os patrocinadores fazem-nos passar por cada vergonha.
A -Deixa-lá isso, concentra-te neste jogo. Este é mesmo importante.
B -Estamos juntas?
A -Vamos dar-lhes uma surra!
B -Tem atenção à esquerda da Daisy.
A -Está descansada não passará uma!
B -Vamos a isso!
Lowndes Faria
10 Novembro 2008